Mercadinho J.C: persistência e empreendedorismo nas comunidades ribeirinhas

Mercadinho J.C: persistência e empreendedorismo nas comunidades ribeirinhas

O Mercadinho J.C nasceu da necessidade e persistência de Josadaque Ferreira e Celeste da Silva, sustentando a vida em Campinas do Norte.

Em comunidades ribeirinhas, empreender não começa com plano de negócios nem termina com planilhas. Começa com necessidade, insistência e uma pergunta simples: como continuar quando o caminho fica difícil?

Na comunidade de Campinas do Norte, o Mercadinho J.C nasceu assim. Não como um projeto grandioso, mas como uma forma de complementar a renda e garantir o básico para quem vive longe dos grandes centros comerciais. À frente do negócio estão Josadaque Ferreira e Celeste da Silva, casal que conhece bem a rotina de quem depende do rio para tudo, inclusive para manter um comércio funcionando.

Embora o mercadinho tenha sido inaugurado oficialmente em 2025, Josadaque atua no comércio local há cerca de 20 anos, sempre lidando com as dificuldades logísticas que marcam a região. A mais dura delas é o transporte das mercadorias, especialmente durante a seca dos rios, quando o acesso se torna limitado e imprevisível.

Foi justamente esse cenário que quase fez o negócio não sair do papel. Levar produtos até a comunidade, manter estoque e evitar perdas exige mais do que esforço físico. Exige paciência, adaptação e resistência que não aparece nas estatísticas.

O Mercadinho J.C funciona hoje como um ponto essencial para a comunidade. No espaço, é possível encontrar alimentos, produtos de limpeza e itens básicos do dia a dia. Nada além do necessário. Nada aquém do que resolve a vida de quem mora ali.

Não houve grandes apoios externos, financiamentos ou incentivos. Segundo Josadaque, o crescimento foi solitário: “Eu e Deus”, resume, do jeito direto de quem aprendeu a seguir mesmo quando as condições não ajudam.

Atualmente, o mercadinho conta com estrutura adequada para a realidade local, com seções organizadas e funcionamento estável. O trabalho diário é feito apenas por Josadaque e Celeste, que dividem responsabilidades do negócio e da vida.

O objetivo para o futuro é claro: expandir. Levar o mercadinho para outros lugares e ampliar a atuação, sem perder a base construída com calma e persistência.

Conversar com Josadaque é entender que o empreendedorismo, em muitos casos, não tem discurso ensaiado. Ele é tranquilo, acessível e mostra que continuidade e dedicação superam atalhos.

A história do Mercadinho J.C não chama atenção pelo tamanho, mas pelo contexto. Em um Brasil onde grande parte dos negócios fecha antes de completar cinco anos, manter um comércio ativo em uma comunidade ribeirinha já é, por si só, um feito que merece ser observado.

Porque nem todo empreendimento nasce para virar rede. Alguns nascem para sustentar um lugar inteiro.

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