A Explosão 10&20 em Manacapuru revela como preço acessível e volume de vendas refletem a realidade econômica local.
Ao olhar para as imagens da inauguração da Explosão 10&20 em Manacapuru, com fila enorme na calçada, motos ocupando a rua inteira e pessoas gravando pelo celular, a pergunta que surge é clara: como uma loja onde quase tudo custa até vinte reais consegue reunir tanta gente em plena manhã de terça-feira?
O movimento parecia de liquidação de fim de ano, não de uma inauguração comum. Essa cena motivou a busca por respostas e a compreensão do que realmente está por trás desse tipo de consumo na cidade.
O registro oficial que poucos mencionam
A Explosão 10&20 faz parte da empresa Explosao Modas Davi A. de Sousa Ltda, registrada na Receita Federal desde 26 de agosto de 2020, com sede no Centro de Manacapuru. O responsável legal é Davi Araujo de Sousa, entrevistado dentro da loja.
Segundo o cadastro da empresa, ela atua no comércio de roupas e acessórios, mas na prática oferece muito mais: itens de uso pessoal, produtos para casa, brinquedos e utilidades do dia a dia. Essa informação evidencia que não se trata de um negócio improvisado, mas de uma empresa regular com estrutura e funcionamento legal.
A promessa de preço baixo que vira fenômeno
Durante a conversa, o fundador explicou que o nome da loja não significa que tudo custa dez ou vinte reais. Ele disse: “Não é tudo 10 e 20. Tem produto a partir de quatro reais e o máximo chega a vinte.” O nome cria expectativa e atrai fluxo intenso, sustentando o modelo de negócio.
Ao caminhar pela loja, tudo parece planejado para rapidez: setores por categoria, provadores ocupados, brinquedos em destaque, itens para casa organizados e um segundo piso voltado ao público infantil. Nada ali é pensado para a pessoa ficar parada, mas para girar rapidamente o estoque.
Não é só preço. É comportamento de consumo
Uma cliente resumiu: “A gente sabe que não é roupa de marca, mas quando o preço cabe no bolso, resolve o mês.” Esse padrão reflete a realidade de cidades com renda mais baixa, onde a decisão de compra prioriza solução e necessidade da família.

Dados do IBGE mostram que muitos municípios do interior amazônico têm renda abaixo da média nacional. Isso explica por que lojas de preço popular atraem público intenso.
Como um preço tão baixo paga as contas?
Especialistas do varejo explicam que lojas de preços baixos sobrevivem pelo volume. A margem de lucro é pequena, exigindo movimento constante e giro rápido do estoque. Na Explosão 10&20, quase ninguém sai com um único item; a maioria compra várias peças, equilibrando contas e garantindo sustentabilidade do negócio.
O retrato de uma economia real
O grande movimento diante da loja vai além do comércio. Ele mostra a economia local: famílias buscam preço acessível para vestir os filhos, organizar a casa e garantir o dia a dia. Filas enormes em inaugurações revelam mais sobre a realidade econômica da cidade do que muitos relatórios oficiais.

