Reflexão sobre a diferença entre parecer relevante e ser relevante, mostrando que autoridade real se constrói com consistência e impacto.
Durante muito tempo, aparecer em certos portais significava reconhecimento, trajetória e impacto real. Hoje, em muitos casos, virou apenas uma etapa do marketing pessoal.
Basta observar a quantidade de “líderes”, “referências” e “visionários” surgindo do nada, todos com matérias bem produzidas, fotos profissionais e discursos ensaiados. A dúvida não é se essas pessoas trabalham, mas se realmente conquistaram o espaço que ocupam.
Existe uma diferença enorme entre ser relevante e parecer relevante.
O problema não está na publicidade. Publicidade é clara, assume seu papel e cumpre sua função. O problema começa quando ela se veste de jornalismo. Quando o texto parece reportagem, mas nasce de uma negociação. Quando o leitor acredita estar lendo informação, mas está consumindo promoção.
Isso corrói a credibilidade de quem publica e banaliza o conceito de autoridade. Se todo mundo é destaque, ninguém é. Se qualquer história pode ser comprada, o mérito perde valor.
Autoridade de verdade não surge de um texto bonito. Ela se constrói com tempo, erro, acerto, impacto e consistência. Surge quando alguém é citado por outros, quando gera efeito real, quando resiste ao tempo. Não quando aparece uma única vez em um grande site e desaparece logo depois.
Outro efeito colateral desse modelo é o incentivo ao atalho. Em vez de construir algo sólido, muitos preferem investir em aparência. É mais rápido, mais barato e gera validação imediata. Só que respeito não funciona assim.
O leitor sente. Pode não perceber de imediato, mas percebe quando algo é forçado, inflado ou vazio. E quando isso se repete, a confiança desaparece.
Talvez seja hora de repensar o que estamos chamando de autoridade. Se ela é medida por impacto real ou por orçamento. Se é construída com história ou comprada como vitrine.
Porque, no fim das contas, a diferença aparece com o tempo. Quem construiu de verdade permanece. Quem apenas comprou destaque vira arquivo.
E tempo, diferente de espaço publicitário, não se compra.

